


A missão internacional da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP) no Reino Unido chegou ao terceiro dia em 21/05. Autoridades conheceram as operações do Porto de Tilbury, o terceiro principal do país.
O terminal movimenta mais de 16 milhões de toneladas de cargas por ano e é administrado pela iniciativa privada, que também assume as funções de autoridade portuária. O porto fica às margens do Rio Tâmisa, nas proximidades de Londres, e tem 36% de participação na movimentação de cargas do Reino Unido. São 31 terminais e a multifuncionalidade chamou a atenção das autoridades que participam da missão da ATP.
“É um porto que trabalha com vários tipos de cargas, desde pátios com carros. A Nissan, por exemplo, tem uma operação muito grande. Então são muitos navios ro-ro operando no porto. Mais a parte de granel de grãos. Inclusive a soja brasileira chega aqui na Inglaterra pelo Porto de Tilbury”, disse o CEO do Brasil Export, Fabrício Julião, que integra a comitiva da ATP.
Além da diversidade de cargas, o complexo marítimo se destaca pelo modelo de negócios adotado pelos terminais, com os operadores não se limitando às operações de embarque e desembarque de mercadorias nos navios. As próprias instalações também oferecem serviços logísticos complementares, como o de transporte rodoviário e o ferroviário, destacou o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Celso Peel, que também integra a missão. “Existem grandes centros de distribuição de várias empresas já instaladas dentro da área do porto (de Tilbury). E os terminais fazem todo o trabalho de logística também, a logística rodoviária e a ferroviária interligando a operação portuária. Então, é algo que me chamou a atenção porque, normalmente, a visão no Brasil de um terminal de uso privado é só na operação portuária”, afirmou.
O porto foi construído no início do século passado no subúrbio de Londres. A integração com a comunidade chamou a atenção da diretora de Operações Portuárias da Cargill, Ana Elisa Victor, que participa da viagem. “É um porto privado, com vários incentivos fiscais. Ele foi construído numa área pobre, mas que transformou aquela região. A maioria dos empregados é da região. Então, de fato, a iniciativa tem essa capacidade de transformar a realidade econômica de um local e do país”.
O complexo de Tilbury é automatizado e a movimentação de grãos é controlada remotamente por funcionários que ficam numa sala. Hoje, dezoito dos 51 moinhos de farinha do Reino Unido são abastecidos por Tilbury. O porto também é importante na movimentação de celulose.
Um dos temas que recebeu maior atenção, na visita ao porto, é a descarbonização. “Um problema que a gente compartilha. Este é um tema que a gente vem tratando nesses dois últimos dias de visitas e a gente vê que tem muitos problemas parecidos e com isso, muitas soluções também a serem compartilhadas”, disse a diretora-executiva da ATP, Gabriela Costa.
O gerente de Operações Portuárias do Porto do Açu (RJ), Caio Cunha, afirmou que vai agendar reuniões com representantes de Tilbury, para tentar levar experiências locais para o complexo fluminense. “A receita deles não vem só das operações portuárias, mas de um portfólio de serviços que eles prestam pras operações e para toda a cadeia de valor. Esse é um direcionamento que o Porto do Açu está fazendo nos últimos anos com portfólio de serviços diferenciados. E a gente vai ter muito a trocar nos próximos dias nesse sentido”, concluiu Caio.
A diretora do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) da Casa Civil, Patrícia Gravina, enxergou situações parecidas com os portos brasileiros: “A gente vê que, nos portos daqui da Inglaterra, a gente encontra pontos de convergência e isso está sendo importante para a gente. Até para que, como PPI, a gente possa identificar alguns aspectos em que a gente pode trabalhar um pouco melhor nessa parte de financiamento, buscando um apoio para os terminais”.
Matéria publicada no BE News.


